quinta-feira, 20 de novembro de 2008

“Dia Sem Música” propõe silêncio pra instigar discussão: será que funciona?

É isso aí: Bill Drummond propõe ao mundo 24h sem música e amanhã vai estar em São Paulo incentivando pessoas a optarem pelo silêncio em plena Avenida Paulista. Nada de I-pods nervosos, nada de toques de celulares, tampouco o canto dos pássaros.


Como assim? De onde surgiu isso? Bom, esse cara é um produtor musical escocês, membro da extinta dupla de tecnopop KLF, que chegou a colher os frutos de um relativo sucesso no início dos anos 90. Mas o pobre se revoltou com a indústria fonográfica e resolveu converter um recalque uma insatisfação pessoal em manifesto.

Agora ele chega no Brasil para disseminar suas idéias radicais e, além da intervenção urbana (ele pretende abordar pessoas e fazê-las tirar seus fones de ouvido), participará de palestras e debates na capital paulista sobre sua iniciativa controversa, mas fundamentada [cof!].


Sigam-me os bons?


Não satisfeito em já ter sido taxado de louco em 94 por ter queimado ao vivo um milhão de libras esterlinas, Drummond, desde 2005, lidera o movimento chamado “No Music Day” – e pretende levá-lo adiante até 2009, com muita convicção.

A causa tem o 21 de novembro como data oficial por ser véspera do dia de Santa Cecília, padroeira dos músicos. Mas, mais do que uma provocação qualquer (com a categoria e com possíveis devotos), Drummond quer convocar uma reflexão coletiva a respeito dos rumos que a comercialização musical tomou. Segundo ele e seus seguidores, a música encontra-se num estágio crítico de saturação: está disponível muito facilmente e numa quantidade exacerbada. Confira o que eles pregam:


Não, não tenho, obrigada!


Neste ano o Brasil foi escolhido para sediar o movimento porque Drummond tem a impressão de que aqui as pessoas fazem tudo ouvindo música, durante os 365 dias do calendário... Então seria o lugar perfeito para uma mobilização efetiva, a partir de uma abstinência ainda mais árdua.

São Paulo, ainda por cima, é emblemática como cidade ruidosa... Certamente, não faltaria gente para dar as boas-vindas ao “anjo do silêncio” caso ele conseguisse fazer o favor de amenizar o caos e a dor de cabeça da metrópole.

Isso sim seria útil, não promover um flash mob idiotizante pra satisfazer o próprio ego em vez de efetivamente gerar um debate saudável sobre a situação fonográfica mundial – o que é muitíssimo pertinente, a qualquer momento, sem precisar de data [des]comemorativa.


Drummond cutuca com vara curta um negócio que muitos não ousariam abrir mão MANEMMORRRRTOS - eu sou um deles. Mas suas intenções são as melhores, ele garante: “quero que as pessoas consigam escutar músicas com uma sensibilidade diferente que a de antes, com uma nova perspectiva, livre de quesitos comerciais”. Declaração irônica demais pra quem sempre tentou fazer de tudo para obter repercussão [não, eu não vou fazer trocadilhos usando cifrões] na mídia a qualquer custo.


Dor-de-cotovelo pra cima de moi, não, neguin. Quando o “No Music Day” rolou em Londres, em 2006, o povo fez uma anti-campanha com alusão, inclusive, à Madonna [sempre ela!]: play it loud and be proud! MUSIC is self expression, express yourself don't repress yourself. Espero que amanhã em Sampa o pessoal também avacalhe.


“A vida sem música seria um erro” - eu teria falado isso, mas como tio Nietzsche falou antes de mim, preciso dar os devidos créditos. Acho tosco citá-lo, mas dessa vez, tô com ele e não abro.

E você?

5 Told us something new!:

Priscilla disse...

Hey Mr. DJ
Put a record on
I wanna dance with my baby
When the music starts
I never wanna stop
It's gonna drive me crazy
Music makes the people come together
Music makes the bourgeoisie and the rebel

'Cause i got music,
and it makes me feel alright.
Got this here music,
and it helps me ease my mind up.
'Cause i got music,
and it takes away the pain.
Got this here music,
and i got it every, every, every day.

NADA MAIS!

darsh. disse...

eu nem faço tudo ouvindo música, porque meu pc trava quando abro o mediaplayer e o youtube.
mas amanhã só de implicância - insignificante - vou ouvir minhas bandas preferidas quando chegar em casa.

Monique disse...

Li sobre isso na Rolling Stone.

Bom, ele que fique sem ouvir, pois hoje já ouvi umas 20!

=*

felipe disse...

Ele não quer uma cerveja também não?
Fora de cogitação.
Meus 32Gb de música estariam me atentando o dia todo!

Ana C. disse...

meukoo SHINING pra essa iniciativa.
confesso que não li o post em sua totalidade.

só pela retranca fiquei poota. [/vanessão]

música: impossível ............. sem ela.
_________________________↑
(adicione o verbo que quiser)


(em minha leitura extra superficial, detectei referências internas e escandalizantes: neguin e MANEMMORTA.)

*heleninha roitman pride*