quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Barulheira em alta, sem querer [querendo]: “Os Imprevisíveis” e outras mais.

Marcelo Camelo está de volta. Mas, desta vez, não está só.
É isso mesmo: depois de despontar com “Sou”, seu álbum bem-sucedido já mencionado aqui no blog, o hermano (ou ex, como preferirem!) mega inventivo agora também faz parte de um grupo chamado “Os Imprevisíveis” - nome que fala por si só, já que o projeto promete muito experimentalismo.

Em uma entrevista ao jornal O Globo do mês retrasado, Marcelo já adiantava que pretendia se envolver em outro lance paralelo: “Tenho vontade de fazer um próximo trabalho com música abstrata. A formação sou eu e as circunstâncias”.
Isso, aliás, desbanca a possibilidade de alguns mais maldosos acharem suspeito demais o surgimento d’Os Imprevisíveis na Internet em seqüência à projeção da Little Joy.
Cada um no seu quadrado, galëre. Até porque esse projeto do Camelo é benloco e em termos de potencialidade de aceitação rápida, passa longe de poder concorrer com o róquenrou-ternura do Amarante. Querem uma prova audiovisual? Ei-la:


Único vídeo oficialmente disponibilizado pela banda até agora. E ninguém entendeu nada.

Além de Marcelo, a empreitada conta com Tatiana Ornellas, uma multi-instrumentista de 23 anos – é tudo o que se sabe a respeito da moça.
O outro membro é das antigas: Alex Werner, produtor do Los Hermanos e responsável pela história que deu origem ao famigerado hit “Anna Julia”. No mais, a página do grupo no MySpace não fornece muitas informações, tampouco o nome das músicas, que são todas simplesmente indicadas por números romanos. Ainda há um quarto elemento não-identificado, que, pelo visto até na foto de divulgação da banda, prefere a introspecção:


Muito mistério e muito ruído: "Os Imprevisíveis" fazem barulho na surdina.

Quem se interessa por essa mistureba instrumental, vale conhecer também o trabalho "d'Os Legais". Trata-se de um grupo extremo-underground paranaense que desde 1996, "envoltos em lixo, entranhas e suor" (nas palavras dos próprios integrantes), mistura bizarrices sonoras de toda sorte com letras mais estapafúrdias ainda compondo uma música [?] impassível de rótulos. Eles se gabam da proeza de terem gravado mais de 20 discos em 12 anos. É muita produtividade alucinada, gente!

Uma boa pedida que segue quase a mesma linha dessa onda de experimentalismo (não tão radical quanto o exemplo acima, evidentemente) são os caras do Expurgação, que vira e volta dão pinta em festas e eventos bacaninhas do circuito cultural-universitário capixaba. Um exemplo foi a 3ª Mostra Internacional de Cinema, SINERGIA, que, no último dia 3 contou com a participação desses rapazes que harmonizam (e desarmonizam!) palavrinhas-chave como "arte+espiritualidade+design+poesia+eumpoucodepalhaçada" como ninguém.
É um convite ao transcendental que vale ser prestigiado, pra quem gosta de oscilar entre o perturbador e o aliviante. Eles também têm blog, dêem uma olhada!

Apesar de, para os padrões convencionais, o estilo não ser dos mais agradáveis a priori, o fato de Marcelo Camelo estar por trás dessa “vibe ruidosa” pode ser um belo chamariz de adeptos, inevitavelmente guiados pelo respaldo do músico no cenário musical brasileiro. Camelo é conhecido por primar pela qualidade em seus projetos, predominantemente aprovados pela crítica e pelo público em geral.

Mas será que ele tem poder de lançar tendência ao apostar numa iniciativa assumidamente tão incerta?
Esse negócio de querer ser low profile, fazendo divulgação modesta, cheia de frescurites instigantes, conto-isso-mas-escondo-aquilo não me cheira nada bem.
Talvez Marcelo Camelo nem tenha sido tão despretensioso assim ao escolher o nome do grupo e tenha suas previsões todas muito bem definidas. Cuidado com a conspiração subliminar! [/paranoid mode off]


Tudo charminho!

2 Told us something new!:

Ana C. disse...

haha
só mais essa que faltava. CHEGA DE PARANÓIA, MULHER.

tooooda jornalista cavucando as 'nutiça'. :P

nem vou falar da minha indignação underground capixaba, NÉ?!¬¬

expurgação é massa. feelha, esse evento aí, o sinergia, passou e a gente não foi. nosso vídeo rodou lá e eu nem estava presente. KKKK

fotos dos imprevisíveis: moderninhos do bairro.

é uma pena que eu esteja agora no lab-artes da ufes e não consiga assistir ao bendito vídeo que você postou.¬¬

Monique disse...

o camelo tá a cara do meu padrinho na foto!

tinha lido sobre esse projeto antes e sobre o "experimentalismo"...

acho que ele gosta de causar. mesmo fazendo esse tipinho low-profile.

ainda não ouvi o litte joy! essa semana JÁ!

beijo!