terça-feira, 28 de outubro de 2008

Gogol Bordello arma o circo em Vitória! [Plus: a contribuição roots de Siba]


O teatro da Universidade Federal do Espírito Santo teve suas estruturas historicamente abaladas na noite do último domingo, 26.
Culpa de quem? De uma bandinha [diminutivo carinhoso, que fique claro!] alegórica formada por uns ciganos-punks energizados, com o propósito de ferver pra valer a platéia capixaba. E conseguiram com primor – será que alguém imaginava sair pingando de suor daquele lugar que inspira, a princípio, uma postura pacata?

O excêntrico Eugene Hütz: o líder da bagunça!


A apresentação da Gogol Bordello, pra mim, foi o maior destaque da nossa edição do Tim Festival (e neste post me atenho apenas à local porque mesmo que eu não fosse pobre, infelizmente, não conseguiria ser ubíqua).
A verdade é que no fim das contas, ninguém ficou sentado. O chão chegava a pulsar e foi lindo se sentir parte daquilo!

Bom, esse segundo dia do Tim na Ufes começou com o pernambucano Siba e a sua Fuloresta. Com sua poesia musicada, carnavalesca por essência, o carismático ex-líder da Mestre Ambrósio já parecia lançar o mote do restante da noite: muito batuque, experimentalismo e diversão.

Cada vez que ele dava um passo, a platéia saía do lugar

Fidelíssimo às raízes, o músico repentista nos fez sentir por alguns instantes em pleno Recife cirandeiro: uma cantoria boa a valer, que chamava constantemente a participação dos espectadores. Pra finalizar, Siba ainda desceu do palco pra interagir diretamente com o pessoal, passando por entre as cadeiras com seus 7 companheiros de banda, veteranos artistas de rua que gostam mesmo é de uma proximidade com o público – e a recíproca foi verdadeira.
O show não foi muito longo, mas durou o suficiente para dar uma bela aquecida para o que ainda estava por vir.

E é aí que eu volto a falar do furacão gipsy inicialmente mencionado. Um show de luz e movimentos nada calculados numa atmosfera circense vertiginosa. Ô rapaz inquieto esse tal de Eugene Hütz – performático que só ele, o vocalista da banda não se contentou em ficar todo ‘melecado’ por conta própria: de uma hora pra outra, ele se deliciava em tentar molhar a platéia com o vinho [quente!] que não largou até o fim, água ou o suor do próprio corpo, só no bate-cabelo! Um nojinho que valeu a pena pelo espetáculo.

Mas ele não era o único espírito de porco em cena! Alguém me responde o que era o tio-russo-sanfoneiro-cabeludo, com um pique alucinante? Fora as “backing-vocals” japonesas com tambores e coreografias tresloucadas numa vibe ora “É o Tchan”, ora “London Parade”? Alguém entendeu aquele uniforme do Santos?

Muita informação que levou à inquietude geral dos sentidos.

Tudo lá era mesmo um baita caldeirão cultural, sonoro (rock, ska, reggae, dub) e semântico, uma colagem ‘de tudo e mais um pouco’ até poluída. Mas fascinante.


A platéia extasiada deu trabalho para os seguranças!

Musicalmente, eu acabei constatando algumas coisas: quem só ouviu o CD (sobretudo, o “Super Taranta!”) não pode sentir que conhece a real potência dos caras e, por outro lado, quem assistiu ao show, igual um amigo meu bem colocou, não tem como achar a mesma graça de antes com as versões de estúdio.
O ideal era que esses doidos viessem pra essas bandas daqui sempre!
Mas aí eu penso que o risco seria de eles se tornarem esses “artistas” de micareta, que ninguém ouve em casa porque sabe que no show é melhor.
Ok, eu não mencionei isso de micareta à toa! Eu juro que em música, como “Tribal Connection”, eu senti uma guitarra à la Asa de Águia que Deus que me perdoe!

Em todo caso, eu não ligaria se o Hütz fosse o novo “Durval Lelis” versão punk-dos-Bálcãs. Você ligaria? Eu comprava o abadá com louvor ¬¬


No mais, aguardem por cenas dos próximos capítulos. Pra variar, a Madonna sabe farejar o que é sucesso e simplesmente solicitou os caras na turnê dela, que virá ao Brasil em Dezembro. Infelizmente, essa eu não vou poder conferir. Mas de antemão já me corrôo de inveja de quem vai estar nessa apoteose dupla!
[Leia-se, como exemplo, dona Monique Tassar. HAM.]

Enquanto isso, confiram abaixo um trecho do "bis" prolongadíssimo com o qual o Gogol nos presenteou:


8 Told us something new!:

Ana C. disse...

:/

eu queria ter ido no domingo... maldita pobreragem! hahuahu
menina, que inveja de você e da ornella!

essa banda é tão tudo-ao-mesmo-tempo-agora...

bora analisar a miscelânea de referenciais e sinais diacríticos a partir de uma descrição densa. [/mirela]

REESOS

no momento, não dá pra parar de ouvir o cd do little joy. *-*
depois desse frenesi eu vejo algo mais do gogol e comento de novo. hihi



beijo!


ps: o que foi o cara do the national escalando as poltronas do teatro ontem? O.O'

Gabriela Leal disse...

HAUAHAUAAHAUAHAAUAHAUA
adorei o comentário de cunho "analítico-antropológico" by mirela!
ter presenciado o show desses lunáticos foi uma experiência e tanto. minha observação foi bem aproximada e pontual (conforme dita a cartilha do etnólogo), tanto que uma maldita gota de vinho até resvalou na minha blusa!
ficar no gargarejo implica, inclusive, entrar em contato com fluidos diversos do lead singer!
quer coisa mais aprofundada que isso? ¬¬

little joy não sai do meu carro. fico aliviada em saber que eu não sou a única bobalhona.
let's "take advantage of the seaaaaaaason", then!
:)

aliás, temporada boa demais em termos de novidade na música! bring it on!

Monique disse...

Gabi, não fui ao Tim Festival esse ano, mas notei que o Siba tem um quê do cara que acompanhou o Paulo Moura. Esqueci o nome, mas deve ter toda essa ginga.

Enfim, poderia ter mencionado que sua companheira de blog vai ao show da Madonna, né?

No mais... beijos.

Monique disse...

(que acompanhou o Paulo Moura ano passado).

Ana C. disse...

A MONIQUE VAI! A MONIQUE VAI!


aaaaaaaaaaaaaaa

Mariana disse...

Esse vocalista lindo-maravilhoso com essa calça super pega frango viscolycra u.u
Ele já atuou também em filmes, não já? Ouvi dizer em algum lugar...
Só conhecia eles daquela aparição no show da Madonna, tocando La Isla Bonita com ela! bem legal...

Ornella disse...

"A apresentação da Gogol Bordello, pra mim, foi o maior destaque da nossa edição do Tim Festival (e neste post me atenho apenas à local porque mesmo que eu não fosse pobre, infelizmente, não conseguiria ser ubíqua). A verdade é que no fim das contas, ninguém ficou sentado. O chão chegava a pulsar e foi lindo se sentir parte daquilo!" - Exatamente [2]

Também me fiz a pergunta dos uniformes do Santos... Podia ser do Botafogo, caramba!

Descobri o homem mais lindo do mundo, seu nome? Eliot, o baterista. Ai...
Sem contar no Eugene que é tão belo e charmoso juntamente com o judeu.

Enfim, perfeição é pouco para o que senti nesse show. Gogol Bordello destrói e quero mais!

Ornella disse...

Sobre o Siba, gostei muito também. O vocalista com seu sotaque nordestino e simpatia foi um foufo! Quando desceram do palco e juntaram-se ao público, parecia que estávamos em um verdadeiro (aliás, mais ou menos porque as cadeiras e o espaço atrapalharam a folia) carnaval de Pernambuco.
Deveriam dar mais valor às bandinhas do Nordeste... São tão legais!