sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Um pouco mais [ainda] de Woody Allen.

Ele é o assunto do momento nos jornais e revistas de plantão. Pego carona na tendência que está em voga, é claro. 

O ganhador do Oscar e diretor de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa impressiona por manter uma média de produção de um filme por ano, mesmo aos 72 anos de idade. Woody Allen não decepciona com sua mais nova empreitada: filmado na Espanha, o longa Vicky Cristina Barcelona estréia hoje nos cinemas do país e coleciona críticas 
mais que favoráveis na mídia brasileira. 

No embalo do lançamento do filme, o jornalista Eric Lax também lança essa semana o livro "Conversas com Woody Allen: seus filmes, o cinema e a filmagem". Segundo matéria do G1, a publicação de 512 páginas reúne entrevistas feitas pelo autor com o cineasta ao longo de 36 anos. Status da blogueira: ansiosa pra ler!

Voltando à Vicky Cristina Barcelona. Na ansiedade de quase um ano de espera, fui à pré-estréia na sexta passada, cheia de expectativas – as quais foram a
tendidas em cheio. Suspeita para falar de Javier Bardem, que interpreta o audacioso (e sexy, claro) pintor Juan Antonio, me atenho às três mulheres e principalmente a uma, que rouba a cena no filme. 

Chega de foto da Penélope com o cigarrinho na boca. 

Penélope Cruz a-r-r-a-s-a dando uma de descontrolada, pirada, maluca e tudo mais, falando castelhano tal qual mandam suas raízes. Exprime uma emoção e 
uma loucura que se vê em poucas atrizes atualmente. Não diria que é candidata ao Oscar, por seu papel pequeno. Mas, certamente, vai marc
ar sua carreira (a atriz assumiu que pediu para Woody um papel e ele prontamente aceitou). Ex-mulher do pintor, a personagem Maria Elena compl
eta o quadrilátero amoroso formado, também, pelas personagens Vicky e Cristina, interpretadas pelas atrizes Rebecca Hall e Scarlett “the muse” Johansson. 

Barcelona, no filme, é o cartão-postal. É a cidade da arte, turístic
a, bela aos olhos das duas turistas americanas que dão nome ao filme. Uma, noiva, buscando conhecer mais sobre Identidade Catalã. A outra, tentando descobrir seus caminhos. “Ela só sabe o que não quer”, diz a voz em off, referindo-se à loira Cristina. As duas conhecem Juan Antonio num restaurante – de cara, o galã faz uma proposta de viagem nada ortodoxa. A partir daí, desenvolve-se os casos das moças com o pintor. Quer for vê-lo, prepare-se para gostosas risadas. 

Vicky é um papel morno, mesmo com a talentosa atriz – no entanto, é também essencial ao desenrolar do filme. Allen trata das paixões efêmeras, da busca incessante do prazer e das dúvidas amorosas que pairam sobre 99,9% das mentes do mundo. Trata da poesia leve da vida, dos encontros e desencontros, das insatisfações humanas em seu íntimo.
Um recente seminário que apresentei na Ufes, sobre um capítulo do livro de Zygmunt Bauman, “Amor Líquido”, me fez ligá-lo imediatamente ao filme. Tanto que passei o trailer para os colegas.

Scarlett com cara de piniqueira e Woody no set!

A trilha sonora, com base em apenas na música-tema “Barcelona” e em algumas canções entoadas no famoso violão espanhol, é do grupo Giulia y los Tellarini. Logo de cara, amei. Tem um quê humorístico – a cara do diretor, uma pegada gostosa do violão, um ritmo puramente espanhol. De acordo com o blog Mosaicos de Barcelona, o grupo deixou um cd com a música na recepção do hotel em que Woody estava hospedado na época das filmagens. Durante um trajeto de carro, acabou escutando a trilha e pronto. Definido o tema de Vicky Cristina Barcelona.


 
Música maravilhosa, a cara do filme. Deliciosa de ouvir. 

Vicky Cristina Barcelona é um filme leve e com roteiro simples, gostoso de ver e de pensar. Locações ótimas, boa fotografia, tiradas de humor como só o diretor sabe fazer, texto impecável. Atuações primorosas. Direção sagaz. Woody Allen. Recomendo. Para ver sozinho, a dois, a três, a quatro...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

James Bond e sua música não são mais os mesmos

Pelo menos é o que dizem as críticas sobre o novo filme Quantum of Solace, o 22º segundo da série do mais famoso agente secreto do cinema. Pela primeira vez, o personagem interpretado pelo britânico Daniel Craig não diz a célebre frase “My name is Bond, James Bond”. Além disso, o longa é considerado o mais violento de todos, com a perda do “bom e velho” charme do protagonista, famoso pela lábia com as mulheres e pela elegância envergada em seu tuxedo. A música-tema  do filme, no entanto, é o que causa mais controvérsias nos debates around the web: será “Another Way to Die”, composta pelo White Stripes Jack White, digna de uma label como 007?

Os dois casais de Quantum of Solace: Crig e Kurylenko, Keys e White.

Minha sede pela abertura de créditos dos 007’s (algo que compartilho com a Gabi), me fez ouvir a música assim que foi lançada – o filme, verei nos próximos dias. Acompanhando um retrospecto das duas músicas-tema anteriores, percebe-se uma grande mudança de estilo. Assim como no próprio agente (e não me atenho somente à mudança do ator) e no roteiro dos filmes.

Confira o clipe de Madonna - com seu périgon - encarando o próprio Bond (levando muita porrada), aqui.

Não adianta. Gosto da música, mas isso não significa que ela represente bem o filme, que já não gosto tanto. “Um outro dia para morrer” foi, para mim, um tanto nonsense, além de extremamente futurista, efeitos especiais desnecessários, algo que não casa com o próprio agente James Bond. Ele faz o filme: não precisa de coadjuvantes digitais. Já a música traduz bem a “modernidade” (em seu termo não sociológico). Adoro as cordas, os sintetizadores que remetem a essa fase “quero salvar o mundo” do Bond. Talvez a proposta do filme não tenha sido das melhores, o que afeta diretamente a proposta da própria música.

No seguinte, Cassino Royale, já com Daniel Craig dirigindo o Aston Martin, quem embala a abertura (amada por mim e por Gabi LOUCAMENTE) é Chris Cornell, ex Soundgarden e Audioslave, com a ótima “You Know My Name”. 

Clipe da música, com Chris Cornell, aqui.

Achei a cara da história, uma das melhores, na minha opinião. Me lembra um romance cheio de aventuras e decepções: o enredo principal do longa, o Bond apaixonado (O_O). A voz do Chris Cornell é incrível, é A música. A mesma voz, no entanto, não é a marca da música-tema do filme que estreou no último dia 07 (embora a quantidade de gritos dos cantores).

Mesmo contando com a cantoria de Alicia Keys, o que chama a atenção em “Another Way to Die” é a atmosfera criada com o piano forte, a guitarra característica do Stripe e os marcantes metais na base menor da música. Muitos classificaram-na como abaixo do “nível Bond”. Só não casaram o tom da música com o tenso de Quantum of Solace.


De volta às mulheres na abertura, mesmo de pixels. Um quê de anime.

De acordo com o roteiro do filme, é a história mais sombria do agente secreto, onde ele está mais p*to do que nunca (saudades do Sean Connery) Pudera: é a continuação do filme anterior (sem spoiler pra quem não viu) – o que muitos ainda não entenderam. 

A atmosfera criada para o filme, com a música, é fantástica: se Jack White quis passar algo mais dark, misterioso a alguém (mesmo que seja só uma pessoa no mundo, nesse caso, a que vos fala), conseguiu. De forma um tanto confusa, confesso. Quanto à qualidade, acho ótima. O clipe... não é grande coisa. (memo: cadê a versão-vingança da Amy Winehouse?) No mais, nada que desmereça o trabalho e a produção de Jack White.

Óbvio que todo o charme das grandes vozes dos temas, do champagne, do Bond moreno, das engenhocas está somente nos históricos filmes da série, em technicolor. Hoje, a coisa é outra: explode aqui, pegação ali, emputecimento acolá. Saudosos são os tempos do Connery e dos grandes compositores dos temas de seus filmes!

Veja as mudanças em algumas aberturas de 007 ao longo dos anos: Tomorrow Never Dies ; Golden Eye ; The World is not Enough ; From Russia With Love ; Goldfinger ; You Only Live Twice; Thunderball; Live and let die.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Madonna e Britney + Madonna e Justin. TRIO que é bom mesmo, nada.

Notícia fresquinha.
As especulações na blogsfera sobre um dos grandes POP happenings do ano não se concretizaram por completo. O show de ontem no Dodger Stadium em Los Angeles, onde Madonna se apresentaria com Britney Spears e Justin Timberlake até aconteceu, mas não foi televisionado ao vivo pela MTV durante a premiação do EMA's 2008, como muitos esperavam. E nem foi uma performance com os três no palco.

Britney Spears, com visual comportado, cantou "Human Nature". Quem quiser ver um vídeo amador disso, tá servido.

E Justin fez sua participação no hit "4 Minutes". Bem dançante, como haveria de ser!
Madonna adora umas uniões bombásticas mesmo. Depois de juntar no VMA's 2003 as duas supostas arquiinimigas, Britney Spears e Christina Aguilera, numa polêmica apresentação do clássico "Like a Virgin", ela esperava chocar novamente colocando o casal de ex-namorados lado a lado. Não colou.

Enquanto isso, na festa da MTV que acontecia simultaneamente em Liverpool, Britney, mesmo ausente, foi o grande destaque da noite: ganhou nas categorias Albúm do Ano, por "Blackout" (considerado por vezes pela crítica o melhor de toda sua carreira!) e Melhor Artista de 2008. Veja a lista de todos os vencedores aqui!

Depois escrevo mais sobre o EMA's [ou não] que teve ninguém mais ninguém menos que Katy Perry (aquela-que-beijou-uma-garota-e-gostou) como hostess e de bandeja ainda foi Artista Revelação. Peripécias não faltaram!

No mais, faltam 37 dias para Madonna aterrissar em terras tupiniquins!
Moniquê, pode começar a marcar xizinho no calendário - the QUEEN's coming! E pode não ter seus aliados-queridinhos-POP, mas vai estar com Gogol Bordello, vale lembrar! Quer melhor?

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Barulheira em alta, sem querer [querendo]: “Os Imprevisíveis” e outras mais.

Marcelo Camelo está de volta. Mas, desta vez, não está só.
É isso mesmo: depois de despontar com “Sou”, seu álbum bem-sucedido já mencionado aqui no blog, o hermano (ou ex, como preferirem!) mega inventivo agora também faz parte de um grupo chamado “Os Imprevisíveis” - nome que fala por si só, já que o projeto promete muito experimentalismo.

Em uma entrevista ao jornal O Globo do mês retrasado, Marcelo já adiantava que pretendia se envolver em outro lance paralelo: “Tenho vontade de fazer um próximo trabalho com música abstrata. A formação sou eu e as circunstâncias”.
Isso, aliás, desbanca a possibilidade de alguns mais maldosos acharem suspeito demais o surgimento d’Os Imprevisíveis na Internet em seqüência à projeção da Little Joy.
Cada um no seu quadrado, galëre. Até porque esse projeto do Camelo é benloco e em termos de potencialidade de aceitação rápida, passa longe de poder concorrer com o róquenrou-ternura do Amarante. Querem uma prova audiovisual? Ei-la:


Único vídeo oficialmente disponibilizado pela banda até agora. E ninguém entendeu nada.

Além de Marcelo, a empreitada conta com Tatiana Ornellas, uma multi-instrumentista de 23 anos – é tudo o que se sabe a respeito da moça.
O outro membro é das antigas: Alex Werner, produtor do Los Hermanos e responsável pela história que deu origem ao famigerado hit “Anna Julia”. No mais, a página do grupo no MySpace não fornece muitas informações, tampouco o nome das músicas, que são todas simplesmente indicadas por números romanos. Ainda há um quarto elemento não-identificado, que, pelo visto até na foto de divulgação da banda, prefere a introspecção:


Muito mistério e muito ruído: "Os Imprevisíveis" fazem barulho na surdina.

Quem se interessa por essa mistureba instrumental, vale conhecer também o trabalho "d'Os Legais". Trata-se de um grupo extremo-underground paranaense que desde 1996, "envoltos em lixo, entranhas e suor" (nas palavras dos próprios integrantes), mistura bizarrices sonoras de toda sorte com letras mais estapafúrdias ainda compondo uma música [?] impassível de rótulos. Eles se gabam da proeza de terem gravado mais de 20 discos em 12 anos. É muita produtividade alucinada, gente!

Uma boa pedida que segue quase a mesma linha dessa onda de experimentalismo (não tão radical quanto o exemplo acima, evidentemente) são os caras do Expurgação, que vira e volta dão pinta em festas e eventos bacaninhas do circuito cultural-universitário capixaba. Um exemplo foi a 3ª Mostra Internacional de Cinema, SINERGIA, que, no último dia 3 contou com a participação desses rapazes que harmonizam (e desarmonizam!) palavrinhas-chave como "arte+espiritualidade+design+poesia+eumpoucodepalhaçada" como ninguém.
É um convite ao transcendental que vale ser prestigiado, pra quem gosta de oscilar entre o perturbador e o aliviante. Eles também têm blog, dêem uma olhada!

Apesar de, para os padrões convencionais, o estilo não ser dos mais agradáveis a priori, o fato de Marcelo Camelo estar por trás dessa “vibe ruidosa” pode ser um belo chamariz de adeptos, inevitavelmente guiados pelo respaldo do músico no cenário musical brasileiro. Camelo é conhecido por primar pela qualidade em seus projetos, predominantemente aprovados pela crítica e pelo público em geral.

Mas será que ele tem poder de lançar tendência ao apostar numa iniciativa assumidamente tão incerta?
Esse negócio de querer ser low profile, fazendo divulgação modesta, cheia de frescurites instigantes, conto-isso-mas-escondo-aquilo não me cheira nada bem.
Talvez Marcelo Camelo nem tenha sido tão despretensioso assim ao escolher o nome do grupo e tenha suas previsões todas muito bem definidas. Cuidado com a conspiração subliminar! [/paranoid mode off]


Tudo charminho!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Yes, we can!

Aposto que essa foi a frase mais falada pelos americanos ontem e hoje. Obama é o novo presidente, as celebridades fizeram seu papel e agora ele entrou para a história. Primeiro presidente negro dos EUA, acima de tudo.
Para o Brasil, espera-se um pouco mais de "diplomacia", mas uma maior dificuldade no comércio exterior. Creio que nosso país só leva no "côro" mesmo: é um grande quintal dos americanos. Independente de qual presidente.

Fim da guerra no Iraque.

Possível assinatura do Tratado de Kyoto.
Nova postura em relação ao racismo.
Entre outras expectativas.
Um mar de esperanças, mudanças ideológicas, profundas em cara americano. Torço, de verdade.

Pra quem saca inglês, aí vai o "Acceptance speech" do Obama. Discurso de estadista, não apenas de um vitorioso.



Para conferir o discurso em português, clique aqui.

Nossa *AMADA* Madonna parou o show para comemorar a vitória democrata. Com direito a pop-art do Hussein no telão. Olha a animação:



A coisa mais linda foi ver a Oprah se debulhando em lágrimas durante o discurso do presidente eleito. Olha o que ela, Kanye West, Mary J. Blige e Forest Whitaker acharam o discurso (e da vitória de Obama):

(vou achar o link e posto aqui no blog)

É, galerë, agora é black na white [house]!

E que seja melhor para o mundo, que já tá rouco de pedir ajuda.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

“Excluídos”: O gosto amargo de morar no Espírito Santo

Hoje, segunda-feira, três de novembro. Dia de uma participação ilustre no Teatro Carlos Gomes: Fernanda Montenegro encena o monólogo “Encontro com Fernanda”, às 20h. No entanto, o governo do Estado e sua eficiente organização fazem questão de manchar a ocasião. Novamente, a população não pôde prestigiar um evento como esse: como disse uma das organizadoras, o evento é restrito à CLASSE artística-cultural do Espírito Santo.

Eu e mais quatro colegas da Ufes (companheira de blog Gabi, Joyce, Ana, Victor) fomos ávidos em busca de um ingresso. Saímos antes do término da segunda aula (justamente a do professor da matéria desse blog, desculpe-nos). Chegamos, por volta de 11:45. Com uma fila considerável – mas com muito menos que trezentas pessoas – esperamos cerca de 20 minutos até sabermos que senhas foram distribuídas a quem havia chegado antes. E que somente 180 pessoas poderiam receber os ingressos.

Monique, pedaço do braço do Victor e a fila. Na foto, já andamos um pouco. Foto: Daiana Rodrigues

Tentamos protestar, fizemos cartazes (Cadê Zazá? Quero ver Bia Falcão), cantamos, chamamos a imprensa, mas de nada adiantou. Ficamos privados de um espetáculo desse “nível” (não pela protagonista, mas pelos ‘ilustres’ presentes). A grande questão é que a lotação do Teatro é de 450 lugares. Isso significa que 270 ingressos foram DADOS a certas pessoas.

Segundo matéria do site GazetaOnline (que, de acordo com nossas ligações e também de outros presentes, cobriu a ‘manifestação’) “Com relação a distribuição de apenas 180 senhas para a população, a secretaria alega que foram distribuídos alguns (nota da blogueira: é eufemismo ou não é?) convites antes para convidados do lançamento do Fundo, a ser realizado pouco antes do espetáculo. Estes convidados seriam membros da classe artística do Estado”, afirmou a Secretaria de Cultura do Estado.

A blogueira pagando careta atrás da fotografada. Qualquer mico por um direito nosso! Foto: Edson Chagas


O título da matéria do site é "Confusão na distribuição de ingressos para peça de Fernanda Montenegro em Vitória". Que fique bem claro os responsáveis pela tal confusão: o GOVERNO. Ninguém que estava ali usou palavras ofensivas nem agrediu sequer uma pessoa. Só usamos nosso direito de fala ao vento (e às câmeras, confira no ESTV 2ª edição de hoje). Certo?

Grande FUNDO de cultura, apenas para os artistas. Abertura de luxo, não é? Fernanda Montenegro, somente para alguns. Para mim, artista é quem consegue trabalhar todos os dias e ainda pagar o salário de tanto deputado e vereador!

Mais uma vez, a população se contenta com a novela das 20h. E se vê enganada e ludibriada por informações desencontradas: todos os veículos de comunicação que divulgaram o evento não informaram sobre a limitação de 180 ingressos para “populares” nem sobre a distribuição de senhas, já que não pertencemos a essa ELITE cultural – que estará, com certeza, nas páginas das colunas sociais (viva a palhoça...).

Pois bem, que elite? No ESPÍRITO SANTO? Eu toco piano. Por isso, sou artista. Ana e Joyce são produtoras e diretoras de áudio-visual, são artistas ganhadoras de prêmio. Gabriela Leal é internacional. Victor é um conhecedor das letras. Muitos eram professores, estudantes, vendedores. Tanto faz. São ARTISTAS. Não importa o que fazemos.

Pagar impostos pode servir para muitas coisas. Mas, também, para ter acesso à cultura: isso, nosso Estado não faz nenhuma questão de promover em larga escala. Apenas para quem tem cadeira cativa nos interesses do governo. Um gosto muito, mas muito amargo de morar numa província que se desenvolve eternamente, mas nunca muda.

E esse é apenas um dos inúmeros exemplos de exclusão.

****UPDATE BREAKING NEWS****

Segundo Joyce Castello, minha companheira de batalha na tentativa de conseguir um ingresso, a vitória foi alcançada!!!!!!!!!!!!!!!!
Ela deixou um comentário em outro blog que colaboro, o Piniqueiras, dizendo o seguinte:

Moniiiiique e Gabi, vocês não estão sabendo!!

Insistimos por nosso lugar no teatro e, depois de muito suor, entramos. O povo todo que apareceu conseguiu entrar, afinal, a "classe artística" não compareceu em peso.

Não era bem uma peça teatral. Fernanda promoveu um diálogo aberto com a platéia, ou seja, deu voz ao público. Nesse lance de interatividade, adivinhem quem foi a estrela??

ROSEMARY, filhas!
[NOTA DA BLOGUEIRA: ROSEMARY FOI UMA DAS MAIS ENGAJADAS NA LUTA PELO INGRESSO. PROFESSORA NOTA DEZ!]

Rose falou à Fernanda de sua saga para adentrar o evento, onde era, segundo ela, uma penetra. Em seguida, lhe entregou um presente confeccionado durante a tarde de incertezas em sua escola, ao lado de seus alunos amados! Foi lindo!!
Por fim, teve as mãos beijadas pela atriz!

Fora o fulgor da presença de Rosemary, nada mais me lembro. A platéia fazia umas perguntinhas cretinas e aplaudia sem parar. Foi morno, mas era preciso estar lá. Muito preciso.

Perdeu, playboy!



Matéria do GazetaOnline com ROSEMARY!

É isso. No final, quem pagou o grande MICO foi mesmo o governo do Estado: classe artística ficou vendo novela e quem realmente quer CULTURA DE VERDADE foi lá. Uma pena que não compareci, pois tive um aniversário de uma senhora de 81 anos para ir, soube de última hora. Mas, fico feliz por todos que conseguiram entrar! Quem quer e acredita, alcança.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Opinião: The Fame - Lady GaGa.

Como prometido, aqui está!

Quer ouvir um eletro-techno-pop bem produzido e com qualidade?
Ouça The Fame, álbum de début da cantora Lady GaGa. Confira meu post sobre ela aqui.
Lançado nos EUA na última quarta-feira 28, já conta com sucessos como "Just Dance" e "Poker Face", cujo clipe figura na lista dos 10 primeiros cl
ipes do iTunes Top 100 Music Videos. Para uma iniciante pop, até que está de bom tamanho, não? Apesar de contar com muitas referências, a moça já expressa uma identidade própria e, digamos, cintilante e bem shock.

The Fame.

The Fame é um álbum, pra ser modesta, bem bom. Well-produced (Lady GaGa contou com a produção de RedOne, Space Cowboy, Martin Kierszenbaum e Rob Fusari) abusa dos sintetizadores, ritmos bem definidos, vocal marcado abusando de efeitos digitais (apesar de a voz de Lady GaGa ser deveras potente e aparecer bem natural em muitas faixas) e alguns recursos bem semelhantes à "Just Dance" (meio proposital a referência à música que abriu o caminho do sucesso da cantora).

Essa, portanto, é justamente a primeira faixa do álbum e o primeiro single da cantora. Dançante, marcante e que valoriza bastante sua voz. Como já disse, a música dita a linha para boa parte das faixas do álbum puxadas para o lado eletrotechnopop, na maioria das vezes com a mesma batida, com samples, backing vocal e sintetizadores em tons semelhantes. A faixa "Poker Face" é uma dessas que contém essas repetições. Será mais uma tentativa de construir a identidade? No início da música, me senti ouvindo um pouco de Double You, coleção "Top Surprise" e 7 melhores da Jovem Pan. Depois, é claro, de volta aos anos 80.

Capa do Single "Poker Face".

Em seguida, vem a faixa "Love Game", que rende um ótimo remix - mas que também se garante in natura. Em "Paparazzi", GaGa deixa a voz um pouco mais doce, com uma batida gostosa de ouvir. Aqui, noto mais um 90's, nessa cantoria - a música faz parte da trilha sonora da série "Gossip Girl", assim como *Update* a faixa "Poker Face". Aos 22 anos, ela ainda mantém uns resquícios de voz adolescente, que em nada atrapalha o resultado final. Na letra, a cantora brinca com a perseguição dos paparazzi, cantando uma música de tom kind of romantic, quase uma declaração de amor, em algo que não se trata em nada de uma relação amorosa. Divertido.

Em "Beautiful Dirty Rich", segundo single da cantora, há um piano bem-humorado marcando as passagens wanna-be-misterious na música. Soa pra mim como uma piadinha musical, como alguém que canta feliz por não ter dinheiro. Adorei os sintetizadores no refrão. Legal conferir o clipe: GaGa insere na parte technopop lalala a marca oitentista que sustenta no visual. Me lembra demais as músicas da Cyndi Lauper, não sei se é algo estritamente pessoal.

Capa do single "Beautiful Dirty Rich".

Na última faixa do disco, "Like it Rough", é notável a semelhança da batida com "What's On Your Mind", do Information Society. Mais anos 80, impossível. A sétima faixa, também título, "The Fame", pega uma guitarrinha safada (como diria um certo guitarrista aí), lembrando "Sex Drive" dos Stones.

Influenciada pela banda Queen, a cantora também produziu faixas puxadas para o poprock, como as ótimas "Summerboy", "Again-Again" (com uma levada de blues na batida, mas não passa disso) e "Brown Eyes", uma baladinha não tão romântica em virtude dos efeitos tttzzzzz - haja Pro Tools - na voz de GaGa.
A faixa Eh Eh é uma música perfeita para a voz da Rihanna (será isso uma pena?), tanto pela parte vocal, tanto pelo ritmo. Algo que passa, quem diria, pelo reggae. Mas, com tanto sintetizador, o resultado final é mesmo uma música pop um tanto grudenta, mas que encontrará seu público.

Uma curiosidade do álbum é a faixa 8, que muda de acordo com o local de lançamento do disco. Na Europa, a música "Vanity" substitui "Money Honey", lançada no resto do mundo.

A impressão que se tem após ouvir The Fame é que Lady GaGa quis inovar, buscando referências. Quis fazer um som bacana dentro da proposta techno. É difícil achar músicas assim atualmente, que fujam da repetição do refrão e das puras batidas com um tema. Lady GaGa canta e faz dançar e cantar.
É possível perceber as claras influências do estilo 80's (confira o início de 'Boys, Boys, Boys'), aquelas batidas puxadas que dão vontade de vestir a polaina e bailar bastante. Som elétrico, enérgico, mas com uma pitada de nostalgia da época mamãe-me-teve. Um produto bem legal pra curtir sem procupações ideológicas, como eu diria. Vale a pena!

Interessou? Quer baixar? Vai no Orkut, procura a comunidade da Lady Gaga e procura pelo download. Disponibilizar esse link fez meu post ser apagado pelo Blogger no dia 03/11. Por um milagre do histórico do Mozilla consegui reaver o post e, magicamente, o mesmo foi repostado NO MESMO DIA QUE POSTEI ORIGINALMENTE. VAI ENTENDER ESSE BLOGGER MALUCO!!!!!!!!! (muitas exclamações e caps lock, alright).