quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Barulheira em alta, sem querer [querendo]: “Os Imprevisíveis” e outras mais.

Marcelo Camelo está de volta. Mas, desta vez, não está só.
É isso mesmo: depois de despontar com “Sou”, seu álbum bem-sucedido já mencionado aqui no blog, o hermano (ou ex, como preferirem!) mega inventivo agora também faz parte de um grupo chamado “Os Imprevisíveis” - nome que fala por si só, já que o projeto promete muito experimentalismo.

Em uma entrevista ao jornal O Globo do mês retrasado, Marcelo já adiantava que pretendia se envolver em outro lance paralelo: “Tenho vontade de fazer um próximo trabalho com música abstrata. A formação sou eu e as circunstâncias”.
Isso, aliás, desbanca a possibilidade de alguns mais maldosos acharem suspeito demais o surgimento d’Os Imprevisíveis na Internet em seqüência à projeção da Little Joy.
Cada um no seu quadrado, galëre. Até porque esse projeto do Camelo é benloco e em termos de potencialidade de aceitação rápida, passa longe de poder concorrer com o róquenrou-ternura do Amarante. Querem uma prova audiovisual? Ei-la:


Único vídeo oficialmente disponibilizado pela banda até agora. E ninguém entendeu nada.

Além de Marcelo, a empreitada conta com Tatiana Ornellas, uma multi-instrumentista de 23 anos – é tudo o que se sabe a respeito da moça.
O outro membro é das antigas: Alex Werner, produtor do Los Hermanos e responsável pela história que deu origem ao famigerado hit “Anna Julia”. No mais, a página do grupo no MySpace não fornece muitas informações, tampouco o nome das músicas, que são todas simplesmente indicadas por números romanos. Ainda há um quarto elemento não-identificado, que, pelo visto até na foto de divulgação da banda, prefere a introspecção:


Muito mistério e muito ruído: "Os Imprevisíveis" fazem barulho na surdina.

Quem se interessa por essa mistureba instrumental, vale conhecer também o trabalho "d'Os Legais". Trata-se de um grupo extremo-underground paranaense que desde 1996, "envoltos em lixo, entranhas e suor" (nas palavras dos próprios integrantes), mistura bizarrices sonoras de toda sorte com letras mais estapafúrdias ainda compondo uma música [?] impassível de rótulos. Eles se gabam da proeza de terem gravado mais de 20 discos em 12 anos. É muita produtividade alucinada, gente!

Uma boa pedida que segue quase a mesma linha dessa onda de experimentalismo (não tão radical quanto o exemplo acima, evidentemente) são os caras do Expurgação, que vira e volta dão pinta em festas e eventos bacaninhas do circuito cultural-universitário capixaba. Um exemplo foi a 3ª Mostra Internacional de Cinema, SINERGIA, que, no último dia 3 contou com a participação desses rapazes que harmonizam (e desarmonizam!) palavrinhas-chave como "arte+espiritualidade+design+poesia+eumpoucodepalhaçada" como ninguém.
É um convite ao transcendental que vale ser prestigiado, pra quem gosta de oscilar entre o perturbador e o aliviante. Eles também têm blog, dêem uma olhada!

Apesar de, para os padrões convencionais, o estilo não ser dos mais agradáveis a priori, o fato de Marcelo Camelo estar por trás dessa “vibe ruidosa” pode ser um belo chamariz de adeptos, inevitavelmente guiados pelo respaldo do músico no cenário musical brasileiro. Camelo é conhecido por primar pela qualidade em seus projetos, predominantemente aprovados pela crítica e pelo público em geral.

Mas será que ele tem poder de lançar tendência ao apostar numa iniciativa assumidamente tão incerta?
Esse negócio de querer ser low profile, fazendo divulgação modesta, cheia de frescurites instigantes, conto-isso-mas-escondo-aquilo não me cheira nada bem.
Talvez Marcelo Camelo nem tenha sido tão despretensioso assim ao escolher o nome do grupo e tenha suas previsões todas muito bem definidas. Cuidado com a conspiração subliminar! [/paranoid mode off]


Tudo charminho!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Yes, we can!

Aposto que essa foi a frase mais falada pelos americanos ontem e hoje. Obama é o novo presidente, as celebridades fizeram seu papel e agora ele entrou para a história. Primeiro presidente negro dos EUA, acima de tudo.
Para o Brasil, espera-se um pouco mais de "diplomacia", mas uma maior dificuldade no comércio exterior. Creio que nosso país só leva no "côro" mesmo: é um grande quintal dos americanos. Independente de qual presidente.

Fim da guerra no Iraque.

Possível assinatura do Tratado de Kyoto.
Nova postura em relação ao racismo.
Entre outras expectativas.
Um mar de esperanças, mudanças ideológicas, profundas em cara americano. Torço, de verdade.

Pra quem saca inglês, aí vai o "Acceptance speech" do Obama. Discurso de estadista, não apenas de um vitorioso.



Para conferir o discurso em português, clique aqui.

Nossa *AMADA* Madonna parou o show para comemorar a vitória democrata. Com direito a pop-art do Hussein no telão. Olha a animação:



A coisa mais linda foi ver a Oprah se debulhando em lágrimas durante o discurso do presidente eleito. Olha o que ela, Kanye West, Mary J. Blige e Forest Whitaker acharam o discurso (e da vitória de Obama):

(vou achar o link e posto aqui no blog)

É, galerë, agora é black na white [house]!

E que seja melhor para o mundo, que já tá rouco de pedir ajuda.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

“Excluídos”: O gosto amargo de morar no Espírito Santo

Hoje, segunda-feira, três de novembro. Dia de uma participação ilustre no Teatro Carlos Gomes: Fernanda Montenegro encena o monólogo “Encontro com Fernanda”, às 20h. No entanto, o governo do Estado e sua eficiente organização fazem questão de manchar a ocasião. Novamente, a população não pôde prestigiar um evento como esse: como disse uma das organizadoras, o evento é restrito à CLASSE artística-cultural do Espírito Santo.

Eu e mais quatro colegas da Ufes (companheira de blog Gabi, Joyce, Ana, Victor) fomos ávidos em busca de um ingresso. Saímos antes do término da segunda aula (justamente a do professor da matéria desse blog, desculpe-nos). Chegamos, por volta de 11:45. Com uma fila considerável – mas com muito menos que trezentas pessoas – esperamos cerca de 20 minutos até sabermos que senhas foram distribuídas a quem havia chegado antes. E que somente 180 pessoas poderiam receber os ingressos.

Monique, pedaço do braço do Victor e a fila. Na foto, já andamos um pouco. Foto: Daiana Rodrigues

Tentamos protestar, fizemos cartazes (Cadê Zazá? Quero ver Bia Falcão), cantamos, chamamos a imprensa, mas de nada adiantou. Ficamos privados de um espetáculo desse “nível” (não pela protagonista, mas pelos ‘ilustres’ presentes). A grande questão é que a lotação do Teatro é de 450 lugares. Isso significa que 270 ingressos foram DADOS a certas pessoas.

Segundo matéria do site GazetaOnline (que, de acordo com nossas ligações e também de outros presentes, cobriu a ‘manifestação’) “Com relação a distribuição de apenas 180 senhas para a população, a secretaria alega que foram distribuídos alguns (nota da blogueira: é eufemismo ou não é?) convites antes para convidados do lançamento do Fundo, a ser realizado pouco antes do espetáculo. Estes convidados seriam membros da classe artística do Estado”, afirmou a Secretaria de Cultura do Estado.

A blogueira pagando careta atrás da fotografada. Qualquer mico por um direito nosso! Foto: Edson Chagas


O título da matéria do site é "Confusão na distribuição de ingressos para peça de Fernanda Montenegro em Vitória". Que fique bem claro os responsáveis pela tal confusão: o GOVERNO. Ninguém que estava ali usou palavras ofensivas nem agrediu sequer uma pessoa. Só usamos nosso direito de fala ao vento (e às câmeras, confira no ESTV 2ª edição de hoje). Certo?

Grande FUNDO de cultura, apenas para os artistas. Abertura de luxo, não é? Fernanda Montenegro, somente para alguns. Para mim, artista é quem consegue trabalhar todos os dias e ainda pagar o salário de tanto deputado e vereador!

Mais uma vez, a população se contenta com a novela das 20h. E se vê enganada e ludibriada por informações desencontradas: todos os veículos de comunicação que divulgaram o evento não informaram sobre a limitação de 180 ingressos para “populares” nem sobre a distribuição de senhas, já que não pertencemos a essa ELITE cultural – que estará, com certeza, nas páginas das colunas sociais (viva a palhoça...).

Pois bem, que elite? No ESPÍRITO SANTO? Eu toco piano. Por isso, sou artista. Ana e Joyce são produtoras e diretoras de áudio-visual, são artistas ganhadoras de prêmio. Gabriela Leal é internacional. Victor é um conhecedor das letras. Muitos eram professores, estudantes, vendedores. Tanto faz. São ARTISTAS. Não importa o que fazemos.

Pagar impostos pode servir para muitas coisas. Mas, também, para ter acesso à cultura: isso, nosso Estado não faz nenhuma questão de promover em larga escala. Apenas para quem tem cadeira cativa nos interesses do governo. Um gosto muito, mas muito amargo de morar numa província que se desenvolve eternamente, mas nunca muda.

E esse é apenas um dos inúmeros exemplos de exclusão.

****UPDATE BREAKING NEWS****

Segundo Joyce Castello, minha companheira de batalha na tentativa de conseguir um ingresso, a vitória foi alcançada!!!!!!!!!!!!!!!!
Ela deixou um comentário em outro blog que colaboro, o Piniqueiras, dizendo o seguinte:

Moniiiiique e Gabi, vocês não estão sabendo!!

Insistimos por nosso lugar no teatro e, depois de muito suor, entramos. O povo todo que apareceu conseguiu entrar, afinal, a "classe artística" não compareceu em peso.

Não era bem uma peça teatral. Fernanda promoveu um diálogo aberto com a platéia, ou seja, deu voz ao público. Nesse lance de interatividade, adivinhem quem foi a estrela??

ROSEMARY, filhas!
[NOTA DA BLOGUEIRA: ROSEMARY FOI UMA DAS MAIS ENGAJADAS NA LUTA PELO INGRESSO. PROFESSORA NOTA DEZ!]

Rose falou à Fernanda de sua saga para adentrar o evento, onde era, segundo ela, uma penetra. Em seguida, lhe entregou um presente confeccionado durante a tarde de incertezas em sua escola, ao lado de seus alunos amados! Foi lindo!!
Por fim, teve as mãos beijadas pela atriz!

Fora o fulgor da presença de Rosemary, nada mais me lembro. A platéia fazia umas perguntinhas cretinas e aplaudia sem parar. Foi morno, mas era preciso estar lá. Muito preciso.

Perdeu, playboy!



Matéria do GazetaOnline com ROSEMARY!

É isso. No final, quem pagou o grande MICO foi mesmo o governo do Estado: classe artística ficou vendo novela e quem realmente quer CULTURA DE VERDADE foi lá. Uma pena que não compareci, pois tive um aniversário de uma senhora de 81 anos para ir, soube de última hora. Mas, fico feliz por todos que conseguiram entrar! Quem quer e acredita, alcança.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Opinião: The Fame - Lady GaGa.

Como prometido, aqui está!

Quer ouvir um eletro-techno-pop bem produzido e com qualidade?
Ouça The Fame, álbum de début da cantora Lady GaGa. Confira meu post sobre ela aqui.
Lançado nos EUA na última quarta-feira 28, já conta com sucessos como "Just Dance" e "Poker Face", cujo clipe figura na lista dos 10 primeiros cl
ipes do iTunes Top 100 Music Videos. Para uma iniciante pop, até que está de bom tamanho, não? Apesar de contar com muitas referências, a moça já expressa uma identidade própria e, digamos, cintilante e bem shock.

The Fame.

The Fame é um álbum, pra ser modesta, bem bom. Well-produced (Lady GaGa contou com a produção de RedOne, Space Cowboy, Martin Kierszenbaum e Rob Fusari) abusa dos sintetizadores, ritmos bem definidos, vocal marcado abusando de efeitos digitais (apesar de a voz de Lady GaGa ser deveras potente e aparecer bem natural em muitas faixas) e alguns recursos bem semelhantes à "Just Dance" (meio proposital a referência à música que abriu o caminho do sucesso da cantora).

Essa, portanto, é justamente a primeira faixa do álbum e o primeiro single da cantora. Dançante, marcante e que valoriza bastante sua voz. Como já disse, a música dita a linha para boa parte das faixas do álbum puxadas para o lado eletrotechnopop, na maioria das vezes com a mesma batida, com samples, backing vocal e sintetizadores em tons semelhantes. A faixa "Poker Face" é uma dessas que contém essas repetições. Será mais uma tentativa de construir a identidade? No início da música, me senti ouvindo um pouco de Double You, coleção "Top Surprise" e 7 melhores da Jovem Pan. Depois, é claro, de volta aos anos 80.

Capa do Single "Poker Face".

Em seguida, vem a faixa "Love Game", que rende um ótimo remix - mas que também se garante in natura. Em "Paparazzi", GaGa deixa a voz um pouco mais doce, com uma batida gostosa de ouvir. Aqui, noto mais um 90's, nessa cantoria - a música faz parte da trilha sonora da série "Gossip Girl", assim como *Update* a faixa "Poker Face". Aos 22 anos, ela ainda mantém uns resquícios de voz adolescente, que em nada atrapalha o resultado final. Na letra, a cantora brinca com a perseguição dos paparazzi, cantando uma música de tom kind of romantic, quase uma declaração de amor, em algo que não se trata em nada de uma relação amorosa. Divertido.

Em "Beautiful Dirty Rich", segundo single da cantora, há um piano bem-humorado marcando as passagens wanna-be-misterious na música. Soa pra mim como uma piadinha musical, como alguém que canta feliz por não ter dinheiro. Adorei os sintetizadores no refrão. Legal conferir o clipe: GaGa insere na parte technopop lalala a marca oitentista que sustenta no visual. Me lembra demais as músicas da Cyndi Lauper, não sei se é algo estritamente pessoal.

Capa do single "Beautiful Dirty Rich".

Na última faixa do disco, "Like it Rough", é notável a semelhança da batida com "What's On Your Mind", do Information Society. Mais anos 80, impossível. A sétima faixa, também título, "The Fame", pega uma guitarrinha safada (como diria um certo guitarrista aí), lembrando "Sex Drive" dos Stones.

Influenciada pela banda Queen, a cantora também produziu faixas puxadas para o poprock, como as ótimas "Summerboy", "Again-Again" (com uma levada de blues na batida, mas não passa disso) e "Brown Eyes", uma baladinha não tão romântica em virtude dos efeitos tttzzzzz - haja Pro Tools - na voz de GaGa.
A faixa Eh Eh é uma música perfeita para a voz da Rihanna (será isso uma pena?), tanto pela parte vocal, tanto pelo ritmo. Algo que passa, quem diria, pelo reggae. Mas, com tanto sintetizador, o resultado final é mesmo uma música pop um tanto grudenta, mas que encontrará seu público.

Uma curiosidade do álbum é a faixa 8, que muda de acordo com o local de lançamento do disco. Na Europa, a música "Vanity" substitui "Money Honey", lançada no resto do mundo.

A impressão que se tem após ouvir The Fame é que Lady GaGa quis inovar, buscando referências. Quis fazer um som bacana dentro da proposta techno. É difícil achar músicas assim atualmente, que fujam da repetição do refrão e das puras batidas com um tema. Lady GaGa canta e faz dançar e cantar.
É possível perceber as claras influências do estilo 80's (confira o início de 'Boys, Boys, Boys'), aquelas batidas puxadas que dão vontade de vestir a polaina e bailar bastante. Som elétrico, enérgico, mas com uma pitada de nostalgia da época mamãe-me-teve. Um produto bem legal pra curtir sem procupações ideológicas, como eu diria. Vale a pena!

Interessou? Quer baixar? Vai no Orkut, procura a comunidade da Lady Gaga e procura pelo download. Disponibilizar esse link fez meu post ser apagado pelo Blogger no dia 03/11. Por um milagre do histórico do Mozilla consegui reaver o post e, magicamente, o mesmo foi repostado NO MESMO DIA QUE POSTEI ORIGINALMENTE. VAI ENTENDER ESSE BLOGGER MALUCO!!!!!!!!! (muitas exclamações e caps lock, alright).

terça-feira, 28 de outubro de 2008

MGMT e The National encerram Tim Festival (considerações agigantadas!)

E daí eu acabei indo também no terceiro e último dia do Tim Festival aqui em Vitória. Dia mais concorrido do evento. Ingressos rapidamente esgotados. High expectations.

Mas nem achei essas coUsas todas.


Então o The National abriu. Daquele jeito, devagar quase parando. Não que isso seja ruim, mas se quer pagar de Joy Division, que faça direito. Ian Curtis deve ter se contorcido no túmulo com a comparação inevitável. Pior ainda foi o vocalista Matt Berning tentar encarnar O Morrissey ao cantar “Baby, we’ll be fine” que de cara já se assemelha com um dos meus hits mais queridos do Smiths pela repetição melancólica do trecho “I’M SO SORRY”, comum a ambas as músicas.

Morrissey é Morrissey e mexeu com ele, mexeu comigo! Um pouco de personalidade, nesse caso, viria bem a calhar.


O sofrido Matt e banda: I just don't know what to do with myself


O cara tem talento, foi super educado com a platéia, mas ficou evidente que ainda não encontrou seu próprio estilo de presença no palco. Vez ou outra, o clima ficava mais acalorado, mas foram raras as vezes que eu pude detectar um ápice emocional!

A própria banda, aliás, parece ainda não ter decidido quanto ao que deseja ser, afinal. A identidade ainda se mostra bem confusa. Mesmo assim, balanceando erros e acertos, eu não desacredito totalmente esses moços. Tenhamos calma.

Entre as vantagens que pude detectar na performance, por exemplo, está a boa vontade do violinista que, vez ou outra, também tocava teclado com destreza. Ele se destacou por algo que eu achei que faltou justamente no lead singer: ter dado sangue!

Um dos momentos mais inebriante do show (talvez o único que mereça mesmo menção, a meu ver, até porque questões pessoais! Hahahaha) foi muito por conta dele na arrepiante “About Today” (vejam um exemplo do desempenho aqui).


Today you were far away

and I didn't ask you why

What could I say

I was far away

You just walked away

and I just watched you

What could I say

How close am I to losing you?

Tonight you just close your eyes and

I just watch you slip away

How close am I to losing you

Hey, are you awake

Yeah I'm right here

Well can I ask you about today

How close am I to losing you?


[Parafraseando minha querida Ana, do Seriously... “MORRI”! *_*]


Bom, depois teve uma tentativa de causar no teatro e o vocalista resolveu se soltar, pulando entre as cadeiras e levando o pessoal à loucura! Mil flashes nessa hora. Fico com preguiça de uns momentos apelativos assim pra compensar a frieza da musicalidade. Mas, sabe... Deixa pra lá, um dia eles “se encontram” na proposta e acertam na fórmula.


Tipo o MGMT (aka “Management”) acertou - minimamente, não a ponto de fazer jus ao que prometia com seu álbum, mas ok. A banda pop-psicodélica nova-iorquina com certeza foi responsável por todo alarde em torno do encerramento do festival.


O MGMT fez uma farofada lisérgica e acabou agradando!


Quem esperava um lance mais “disco”, como eu, se surpreendeu com as guitarras mais pesadas (e muitos "uá-uás") na porção inicial do show, remetendo fortemente ao meu idolatrado hard rock, e também, por vezes, o progressivo PinkFloydístico. “Pieces of What” simbolizou bem essa levada, com uma slide guitar digna de parabéns.

Mas a hora de dançar foi mesmo a melhor: com “Electric Feel” e “Time to Pretend”, a platéia que já estava de pé antes mesmo da banda começar a tocar, se sentiu agraciada de verdade. Já era hora, porque custou um pouco a engatar o frenesi.


Destaque para os covers de "Girls Just Wanna Have Fun", da memorável Cyndi Lauper e do clássico "Purple Rain, do Prince" – que, ok, foi engraçadinho, divertido, mas no final, o vocalista parecia já estar tirando com a cara da platéia. Chutou o balde mesmo. Aliás, ele e sua calcinha skinny já estava o sarro personificado desde o início... O que mais poderia superar? O bêbado do tecladista, talvez?


Bom, fecharam o show com uma dose de ironia bacaninha e carregada de nostalgia. Até que deram conta do recado… E o povo saiu feliz da vida, afinal, o orgulho em ser cool muitas vezes implica ignorar certas babaquices e defeitos que acabam absolvidos pela “licença musical” alternativa.

Quem pode, pode, né.


*** Ah, em tempo: momento serviço do blog! ***


Quem é da Grande Vitória e porventura despencar aqui de pára-quedas, não perca o filme-concerto do Arctic Monkeys amanhã! O “Arctic Monkeys at The Apollo” é um registro do show de encerramento da última turnê da banda e vai ser exibido nesta quarta-feira simultaneamente em várias salas de cinema de todo o Brasil.


Cartaz do filme (Divulgação)


Aqui em Vitória, o Cine Jardins, em Jardim da Penha foi escolhido para a estréia.

O longa tem duração de 76 minutos e a sessão começa às 21h. Os ingressos custam R$ 6,00 (inteira) e R$ 3,00 (meia).

Corre que ainda dá tempo de comprar!



Gogol Bordello arma o circo em Vitória! [Plus: a contribuição roots de Siba]


O teatro da Universidade Federal do Espírito Santo teve suas estruturas historicamente abaladas na noite do último domingo, 26.
Culpa de quem? De uma bandinha [diminutivo carinhoso, que fique claro!] alegórica formada por uns ciganos-punks energizados, com o propósito de ferver pra valer a platéia capixaba. E conseguiram com primor – será que alguém imaginava sair pingando de suor daquele lugar que inspira, a princípio, uma postura pacata?

O excêntrico Eugene Hütz: o líder da bagunça!


A apresentação da Gogol Bordello, pra mim, foi o maior destaque da nossa edição do Tim Festival (e neste post me atenho apenas à local porque mesmo que eu não fosse pobre, infelizmente, não conseguiria ser ubíqua).
A verdade é que no fim das contas, ninguém ficou sentado. O chão chegava a pulsar e foi lindo se sentir parte daquilo!

Bom, esse segundo dia do Tim na Ufes começou com o pernambucano Siba e a sua Fuloresta. Com sua poesia musicada, carnavalesca por essência, o carismático ex-líder da Mestre Ambrósio já parecia lançar o mote do restante da noite: muito batuque, experimentalismo e diversão.

Cada vez que ele dava um passo, a platéia saía do lugar

Fidelíssimo às raízes, o músico repentista nos fez sentir por alguns instantes em pleno Recife cirandeiro: uma cantoria boa a valer, que chamava constantemente a participação dos espectadores. Pra finalizar, Siba ainda desceu do palco pra interagir diretamente com o pessoal, passando por entre as cadeiras com seus 7 companheiros de banda, veteranos artistas de rua que gostam mesmo é de uma proximidade com o público – e a recíproca foi verdadeira.
O show não foi muito longo, mas durou o suficiente para dar uma bela aquecida para o que ainda estava por vir.

E é aí que eu volto a falar do furacão gipsy inicialmente mencionado. Um show de luz e movimentos nada calculados numa atmosfera circense vertiginosa. Ô rapaz inquieto esse tal de Eugene Hütz – performático que só ele, o vocalista da banda não se contentou em ficar todo ‘melecado’ por conta própria: de uma hora pra outra, ele se deliciava em tentar molhar a platéia com o vinho [quente!] que não largou até o fim, água ou o suor do próprio corpo, só no bate-cabelo! Um nojinho que valeu a pena pelo espetáculo.

Mas ele não era o único espírito de porco em cena! Alguém me responde o que era o tio-russo-sanfoneiro-cabeludo, com um pique alucinante? Fora as “backing-vocals” japonesas com tambores e coreografias tresloucadas numa vibe ora “É o Tchan”, ora “London Parade”? Alguém entendeu aquele uniforme do Santos?

Muita informação que levou à inquietude geral dos sentidos.

Tudo lá era mesmo um baita caldeirão cultural, sonoro (rock, ska, reggae, dub) e semântico, uma colagem ‘de tudo e mais um pouco’ até poluída. Mas fascinante.


A platéia extasiada deu trabalho para os seguranças!

Musicalmente, eu acabei constatando algumas coisas: quem só ouviu o CD (sobretudo, o “Super Taranta!”) não pode sentir que conhece a real potência dos caras e, por outro lado, quem assistiu ao show, igual um amigo meu bem colocou, não tem como achar a mesma graça de antes com as versões de estúdio.
O ideal era que esses doidos viessem pra essas bandas daqui sempre!
Mas aí eu penso que o risco seria de eles se tornarem esses “artistas” de micareta, que ninguém ouve em casa porque sabe que no show é melhor.
Ok, eu não mencionei isso de micareta à toa! Eu juro que em música, como “Tribal Connection”, eu senti uma guitarra à la Asa de Águia que Deus que me perdoe!

Em todo caso, eu não ligaria se o Hütz fosse o novo “Durval Lelis” versão punk-dos-Bálcãs. Você ligaria? Eu comprava o abadá com louvor ¬¬


No mais, aguardem por cenas dos próximos capítulos. Pra variar, a Madonna sabe farejar o que é sucesso e simplesmente solicitou os caras na turnê dela, que virá ao Brasil em Dezembro. Infelizmente, essa eu não vou poder conferir. Mas de antemão já me corrôo de inveja de quem vai estar nessa apoteose dupla!
[Leia-se, como exemplo, dona Monique Tassar. HAM.]

Enquanto isso, confiram abaixo um trecho do "bis" prolongadíssimo com o qual o Gogol nos presenteou:


Obama, internet e celebridades unidos na causa

Um dia a Gabi falou: "política no blog, jamais"!

O problema é que nada está mais em VOGA do que as eleições norte-americanas (pelo menos nas pautas de certos conglomerados por aí).
E ninguém está mais em VOGA nessa eleição do que Barack Obama. Ele é POP, ele é CHANGE e ainda tem um monte de celebridades fazendo campanha pró-democratas. Sarah Palin, a candidata a VP do republicano John McCain bem que tenta, mas só consegue ser alvo de boas piadas e especulações acerca do que anda vestindo em suas aparições públicas.

Gentem, pra quê tanto stress? Tenho que barrar a Hillary em TU-DA!

A verdade é a seguinte: nunca [na história desse país] em nenhuma campanha presidencial se viu tanta celeb envolvida. E, principalmente em relação à parte democrata, nunca a internet e os novos meios foram tão utilizados para difundir as idéias e propostas de um candidato.

Barack Obama é um fenômeno ideológico, um renascimento de 'esperanças' que só o americano sabe ao certo e, antes de tudo,
é um revolucionário. Não no sentido CHE da palavra, mas por, além de ser negro, sustentar um discurso que em muito se difere do mainstream da política americana.
Acabou por tornar-se uma celebridade, um ícone POP e um ímã de acessos múltiplos na rede. A maior prova dessa superpopularidade é sua foto na capa da revista Rolling Stone americana. (obrigada Seriously?, pela informação).

Uma das várias capas que circulam na rede. 'Nosso herói #)'

Com a internet e os sites de celebridades ligados 24h/dia, Obama multiplicou a renda de sua campanha graças ao apoio dos internautas e a muitos voluntários virtuais. Segundo matéria da agência AFP (Google news) , John McCain (72 anos) admitiu quem nem sabe usar um computador. [IMAGINA. Meu pai, que tem apenas três anos a menos que o candidato sabe navegar na rede com total autonomia] .
Enquanto isso, a equipe marketeira do Obama tá lá trabalhando no marketing dos bits. Hussein-Obama possui até um site de relacionamentos próprio, o
mybarackobama.com, onde os simpatizantes se reúnem para trocar "aquela" idéia.

No youtube,
Facebook, Twitter e My Space, Obama tem acessos superiores em muito aos de seu adversário. Na matéria da AFP, é possível checar os hits das páginas de cada candidato.

As celebridades americanas, por sua vez, aderiram à moda Obama e fazem questão de sair às ruas vestindo camisas ou exibindo adesivos em apoio ao candidato... ***UPDATE***: O globo.com fez uma galeria de fotas das celebrities vestindo a camisa do Obama!


Ryah Phillippe (é, aquele do Segundas Intenções e ex da Reese Witherspoon) e Brad Pitt na passarela.

...além disso - e graças à internet - vários integrantes de séries famosas como Gossip Girl gravaram vídeos no qual fazem campanha para Obama. No blog seriously?, há um post dedicado inteiramente a essa onda "Obama e a juventude", especificamente no seriado que fala sobre a vida da elite de Manhattan. "You know you love me, xoxo"...

A proposta do vídeo é - um absurdo aceitável, para eles - que o público-alvo da série dos garotos propaganda peça aos pais que votem em Obama. É apelo comercial demais da conta!


Se fosse na internet, Obama já era presidente. Apesar das teorias de conspiração (Obama é novo tal qual John Kennedy, tem o apoio da filha dele e, além disso, é polêmico) as pesquisas indicam que o democrata é o favorito do eleitorado. Quem leva?



O blog tá na moda, gente!